segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Papel da Consciência na Meditação


Existem várias palavras importantes, tais como deus, cujo significado tornou-se tão amplo pelo uso vago, que elas tendem a perder todo o significado. Meditação é uma palavra que pode denotar experiência profunda bem como práticas estranhas.

 

Para aprender a meditar, deve-se em primeiro lugar considerar o que significa meditação e não começar com o meditar. Não podem ser adotados os meios sem dar relevância ao fim. É necessário saber primeiro se você quer subir uma montanha ou cruzar o mar, antes que encontre os meios para fazê-lo. Se você deseja cruzar o mar, seria insensato equipar-se com uma picareta e uma corda. Assim, é necessário primeiro tentar entender o que a meditação implica e somente então é possível saber como empreendê-la.

 

No curso da evolução, as formas são desenvolvidas e aperfeiçoadas; a consciência, incorporada às formas vivas, expande-se e , portanto, manifesta os poderes inerentes a ela própria. Na antiga tradição da sabedoria, é dito que não há forma que não incorpore vida ou consciência. O que aparece como “matéria” não está destituída de consciência; mas a consciência está tão oculta, tão latente, que não a percebemos. Nas formas rudimentares de vida, a consciência funciona de uma maneira também rudimentar. Neste estágio, a vida incorporada está apenas vagamente consciente. Nas formas de vida mais desenvolvidas, por exemplo no reino vegetal, há mais consciência. Têm sido provadas nos últimos anos que as plantas respondem aos sentimentos em torno delas, fato descoberto décadas atrás por um cientista indiano, Sir Jagadish Chandra Bose. Entretanto, as plantas não têm aquele grau de consciência que é encontrado nos animais inteligentes: o elefante, o cachorro, o macaco são todos criaturas nas quais a consciência está muito mais desenvolvida. Quando chegamos aos seres humanos, os poderes da consciência revelam-se numa medida ainda maior.

 

Este movimento da evolução, que é o desenvolvimento do organismo, implica em que o organismo se torne mais e mais capaz de ser um canal para a força da vida. Também implica na expansão da consciência que está incorporada no organismo. Isto é retratado pelo símbolo que foi amplamente usado na Índia, no Egito e alhures – o lótus. O lotús  tem seu nascimento em terreno grosso, lamacento. Ele eleva-se na opacidade da água misturada com lama, depois ainda mais além, na água clara, até que alcança o ar puro do céu. Ele simboliza como a consciência se expande desde as formas inferiores, que não lhe permitem revelar muito seus poderes, até as formas superiores, que permitem a canalização de seus poderes em medida cada vez maior. À medida que o lótus se eleva no ar, é primeiro um botão fechado sobre si mesmo. Então floresce como uma bela flor, considerada por alguns de beleza incomparável. Ele recebe a luz do sol, abre-se para a imensa extensão do céu e espalha seu perfume no ar.

 

A consciência humana, como existe no indivíduo comum, pode ser comparada ao botão de lótus. Ela tem de florescer e revelar a beleza e a fragrância que são inerentes ao seu interior. Aprender a despertar a consciência, para que sua presente potencialidade oculta floresça para um estado de absoluta plenitude e meditação.

 

A palavra cônscio significa estar apercebido. Não há consciência destituída do poder de estar cônscia, de estar apercebida. Nós todos somos indivíduos cônscios. Entretanto, se observássemos a nós mesmos, saberíamos que nosso poder de ser cônscios é muito limitado. A consciência funciona de muitas maneiras diferentes: através dos sentidos, através do observar, do ver, do escutar, do sentir, etc. A consciência está cônscia através da modalidade do sentir quando há simpatia; quando pensamos em alguma coisa, isto também é uma maneira de estar cônscio. Assim, existem vários modos de estar cônscio.

 

Agora vamos tentar descobrir como alguém está cônscio. Pensemos numa pessoa que olha para uma bela cadeia de montanhas. Ela pode estar cônscia apenas de uma grande massa de matéria na frente dela, se é uma pessoa insensível. Isto equivale a dizer que sua consciência não está muito cônscia. Portanto, ela não percebe nada mais do que a massa física diante dela. Existem muitos seres humanos assim. A maioria das pessoas torna-se assim, se vêem uma montanha durante muito tempo. Quando continuamos  a ver uma coisa, nos tornamos insensíveis a ela; cessamos de estar cônscios da maravilhosa cadeia de montanhas e nos tornamos absorvido em pequenas preocupações insignificantes. Ou somos às vezes cônscios da massa material apenas ou outras vezes sensíveis a alguma coisa mais, à majestade, à estabilidade, à beleza da cadeia de montanhas. Quando a consciência está apercebida não apenas da aparência física mas dos atributos intangíveis pertencentes à montanha, então ela está mais apercebida, mais cônscia do que estava anteriormente.

 

Pensemos num outro exemplo – uma flor. Uma pessoa que é comercialmente inclinada, pensa na flor meramente como um objeto que dá dinheiro. Alguém que responda um pouco mais, nota várias coisas -  a maneira pela qual ela é formada, o desenho das pétalas, a textura, a delicadeza da coloração e assim por diante. Mas, embora nota mais, ele pode ainda falhar de estar cônscio daquilo que pode ser chamado a “essência” da flor – sua natureza intrínseca, a verdade oculta dentro dela.

 

Os filósofos têm salientado que a beleza é descoberta ao ir-se abaixo da superfície das coisas. Keats escreveu: “Beleza é verdade – verdade-beleza – isso é tudo”. A beleza é ver a verdade oculta no interior, que tem pouco a ver com as qualidades ou características externas. A forma externa pode ser bela para uma pessoa e não parecer assim para outra. Quer a forma pareça bela ou não, aquele que ama vê a verdade dentro, como faz uma mãe que percebe a natureza preciosa de uma criança que outros consideram feia. A verdade ou realidade oculta existe em toda a parte, não somente numa criança particular, numa pessoa ou coisa. Alguns a vêem num lugar, outros em outro. A consciência que desfrutamos é apenas mais ou menos sensível, freqüentemente vendo apenas a forma externa, outras vezes vendo a forma bem como suas qualidades, ocasionalmente vendo ainda mais, no coração das coisas. Quando penetra no coração, ela pode assim fazer mais ou menos profundamente. Ver profundamente é ver o significado, o sentido, o valor. Despertar não meramente para o valor das particularidades, mas despertar para o valor e o significado de toda a vida é alcançar um estado de sabedoria.

 

Para aquele que atingiu este estado de profundo apercebimento e sabedoria, a vida torna-se totalmente diferente. Ver e agir corretamente, afetuosamente, harmoniosamente, é sabedoria. Se uma pessoa vê somente a forma externa de uma flor e para ela esta é somente o valor monetário, pode esmagá-la e jogá-la fora no momento em que ela cessa de ser de valor pessoal. Mas aquele que vê a beleza, o significado, a verdade da flor, não pode danificá-la. Ele a trata com amor, cuidado, delicadeza. Isto é verdade com referência à vida como um todo. Uma pessoa que percebeu o significado da vida não pode atuar de uma maneira destrutiva. Ela age espontaneamente de uma maneira criativa, amável, que é sabedoria em ação. Assim, quando há um completo despertar da consciência, quando há total apercebimento, manifesta-se como uma vida santa e um relacionamento afetuoso.

 

Aprender a alcançar esta sabedoria é meditação. Meditação é o despertar do poder de apercebimento, de consciência, para que assim ela veja não somente o externo, mas também o interno; não somente o que é material, mas também o invisível; não meramente o grosseiro, mas o sutil.

 

O que auxilia alguém na meditação é o que auxilia a consciência a tornar-se mais profundamente cônscia, a tornar-se muito mais sensível do que ela é; assim, suas respostas não são limitadas às coisas externas, materiais, grosseiras. Ela vibra com as coisas sutis, internas, espirituais. Quando isto é entendido, está claro o que é a base da meditação. Obviamente isto implica numa maneira de viver. A consciência não pode ser sensível quando existem fatores na mente que são destruidores desta sensibilidade, condições que obscurecem a percepção. Quando certas paixões, certos tipos de pensamentos existem, o apercebimento é destruído. É impossível ver corretamente. Uma pessoa que é ciumenta não pode ver por causa do ciúme, que atua como uma tela ou nuvem. Otelo, de Shakespeare, via tudo através da coloração de seu ciúme. Ações inocentes pareciam-lhe culposas. Tudo o que sua esposa dizia ou fazia a ele parecia conter um mal, pois não estava vendo os fatos como são; ele estava iludido por seu ciúme. Quer exista ciúme, amor ao poder, cólera, inveja ou outras tais paixões, a consciência perde sua capacidade de ser verdadeiramente cônscia. Ela pensa que vê, mas vê falsamente. Portanto, deve-se aprender a viver de maneira correta e trabalhar para purificar, através da observação e do entendimento, todas aquelas tendências que distorcem a mente. Tudo o que tem sabor de egoísmo é destruidor do poder da consciência. Portanto, na antiga tradição da ioga, eles ensinaram que a base da meditação é um modo ético de vida. Violência, agressão (que eles chamavam himsa), gula, ganância, trapaça, etc., atuam como uma barreira à percepção. Assim, se tem de estar constantemente vigilante aos impulsos e motivos conscientes e subconscientes, se está realmente interessado em expandir os poderes da consciência e preparar-se para a meditação num sentido mais profundo.

 

Sem estabelecer um alicerce, nenhuma estrutura pode ser construída. No mundo de hoje, as pessoas buscam atalhos para tudo e querem “atingimento instantâneo”. Existem os ditos “gurus” que dizem que você pode viver qualquer tipo de vida que queira, uma vida de indulgência, auto-interesse, buscando poder, prazer, etc. – e também obter a iluminação, sob sua égide. Mas o raciocínio mostraria que isso não é possível. Iluminação significa ser capaz de ver e não se pode ver mesmo coisas ordinárias, mundanas, corretamente, como era o caso de Otelo, se a mente não está na condição correta e se não faz o esforço para viver uma vida reta.

 

Descobrir o que torna a pessoa mais cônscia é a próxima tarefa. Quando nós observamos, vemos escutamos, é a consciência que está vendo, escutando. Mas nós vemos muitos pouco na vida. Quando olhamos para uma flor, não apenas não vemos a sua “interioridade”, mas também deixamos de ver o que está acontecendo dentro de nós. Não notamos sequer se nós notamos. Não observamos nossas próprias reações clara  e cuidadosamente. Desenvolver o poder de apercebimento significa aprender a observar não somente o que está fora mas também o que está acontecendo a si mesmo, cuidadosamente, sensivelmente, dando a si próprio o tempo, o silêncio, a quietude que é necessária.

 

Muito poucos seres humanos gostam de fazer isto. Se alguma coisa acontece interiormente, digamos um movimento de raiva, então imediatamente existe o desejo de encobrir o fato ou escapar dele. Encobre-se ele dizendo que não aconteceu. “Não foi devido à minha falta; foi a outra pessoa que me fez fazê-lo”. Assim, existe a recusa de olhar para a raiva que surgiu. Os sintomas de egoísmo, raiva, amor ou poder, etc., podem ser muito sutis. Há o desejo de importância em cada pessoa. Este desejo é algumas vezes muito óbvio naqueles que se pavoneiam, que divulgam a si próprios. Mas ele também pode estar não articulado, mas habilmente escondido. Quando, sentindo-se ofendido, o senso de importância é ofendido, o que poucos compreendem. À medida que aprende a observar, a pessoa torna-se progressivamente cônscia não somente das sutilezas exteriores, como as cores reluzindo nas folhas, a luz caindo sobre a água e assim por diante, mas do que está acontecendo dentro de si mesma em relação a tudo o mais. Ela se torna cônscia de todos os movimentos da mente e das emoções. E a cuidadosa observação intensifica a sensibilidade da consciência, sendo que desse modo ela se torna cada vez mais capaz de esta cônscia.

 

A maioria das pessoas escuta muito pouco. Enquanto outra pessoa está falando, o “ouvinte” já está pensando no que ele quer dizer. A mente prossegue com sua própria tagarelice a maior parte do tempo. Mas deve-se aprender a escutar, como uma base para a meditação. Quanto mais profundamente se escuta, mais a consciência se torna cônscia. Tem-se de escutar a sons e também ao silêncio, ao que não é dito. Um homem irado pode dizer palavras ásperas. A pessoa que realmente escuta aprende que o que o outro está realmente dizendo é que ele é solitário, infeliz, frustrado. Aquele que não escuta cuidadosamente ouve apenas a palavra áspera, não o que o homem está realmente mostrando, que é a sua dor. Assim, a pessoa tem de escutar não somente ao que é falado, mas ao que não é dito; ao silêncio bem como ao som.

 

Então, por cuidadosa observação e escuta, o poder da consciência expande-se. Ela começa a florescer, o que significa que se torna mais aberta ao que a vida está dizendo. É sensível em sua apreensão do que existe, e é necessário sensibilidade para descobrir aquilo que faz no mais profundo, que é o significado, a verdade oculta. 

 

O significado, como dissemos, está em tudo na vida – em cada átomo de matéria, na folha de releva bem como no ser humano, naqueles a quem consideramos feios, bem como naqueles que parecem encantadores e adoráveis. É a falha em nossos olhos que os torna cegos para o que existe. Nos Upanichades, que são os mais antigos tratados filosóficos e religiosos da Índia, um sábio ensina que o verdadeiro Eu (atman), a Realidade, está em toda parte. Você ama sua esposa porque pensa que ela é sua, mas a esposa é amável não porque é sua esposa mas porque é aquela realidade oculta, o atman. O esposo não é querido porque é o esposo, mas porque é o atman. Assim, também o amigo, a criança, as relações, o dito inimigo, cada um tem um valor intrínseco. A pessoa que tem o poder de ver – o sábio – sabe que a verdade, a beleza, a bondade estão em todas as coisas. Nós todos temos de aprender a ver o real em todas as coisas e isto somente pode acontecer se aumentarmos nosso poder de visão.

 

Isto não pode vir de fora. Nenhum guru pode dá-lo, embora alguns pretendam que possam. A pessoa apenas pode ver aquilo que sua consciência é capaz de ver. Portanto, a menos que empreenda o difícil trabalho de viver uma vida diária, na qual o poder de observação, de visão, de sensibilidade, de resposta, de abertura, está aumentando, ela não pode ver a verdade, a realidade, deus, brahman, ou como quer que se queira chamá-la.

 

Na passagem do Upanichade referido, é dito que se você quer ver o real, o verdadeiro, a significação última, absoluta da vida, então aprenda a observar, a escutar, a ponderar e então medite. Assim, a pessoa tem de começar a ponderar. A vida da maioria das pessoas é gasta em trivialidades. Se elas observassem a si próprias, descobririam quantas horas do dia e da noite – pois os sonhos, na maior parte, repetem, de uma maneira incoerente, os pensamentos do dia – quantas horas são gastas em futilidades: o  que fazer; o que o vizinho disse, fazendo compras; quem brigou bom quem; a última intriga, etc. Cada um vive num pequeno círculo minúsculo de interesses e torna-se um cativo dentro deste círculo, identificado com esses interesses, quer sejam eles de sua família, de sua comunidade religiosa, de sua nação ou de alguma outra coisa. Ele não é mais do que um prisioneiro do círculo de seus próprios pensamentos e apegos. E tem de se liberar da pequena prisão de sua criação e aprender a ponderar sobre questões que são de significação mais profunda, de relevância mais universal.

 

O Sr. J. Krishnamurti, que atualmente tem algumas das coisas mais significativas a ensinar sobre meditação, diz: “ Vagueie pela praia e deixe qualidade meditativa ver até você. Se ela não vier, não a persiga. O que você perseguir será a memória do que foi – e o que foi é a morte do que é. Ou quando você vaguear pelas montanhas, deixe que todas as coisas lhe contem da beleza e da dor da vida, para que assim desperte para sua própria dor e para o fim dela”.

 

Há muito de importância universal sobre o que a pessoa tem de ponderar. A questão da dor e da alegria é de importância universal. Elas não são o que parecem ser na superfície. Há a busca de prazer, mas este prazer finda rapidamente. A morte toma alguém a quem alguém estava apegado, a afeição não é retribuída, a doença aflige os que são queridos. Inumeráveis são as maneiras elas quais o prazer termina em pesar e dor. Qual é o significado disso tudo? O que é o “eu” que continuamente busca prazer e tenta evitar a dor? Este eu existe por uma vida apenas? Existem muitas questões fundamentais que demandam uma resposta – uma resposta que seja real, não um eco vazio de palavras faladas por alguém mais. O que as escrituras dizem, o que Jesus Cristo ou Shankaracharya disseram são apenas palavras, até que pela séria ponderação, assimilação, se começa a descobrir por si mesmo o que cada questão realmente significa. Portanto, reflexão, capacidade de ponderar sobre verdades que são de significação universal, questionamento e investigação de problemas que se aplicam a todos os seres humanos, tudo é parte da prática meditativa. E ao fazer assim, a consciência abre-se e amplia o seu espaço. Ela quebra e ultrapassa as barreiras que criou para si mesma.

 

Assim, à medida que a base é estabelecida, o que auxilia a mente a despertar, a tornar-se mais reflexiva, observadora, sensível, escutando, observando, pensando, adquire a qualidade da profundidade. Somente a profundidade na própria consciência da pessoa é capaz de perceber a profundidade de toda a vida. A mente que vive em superficialidades pode ver somente coisas superficiais. Ao aprofundarmos a percepção, chegamos à profunda interioridade das coisas, aos níveis ocultos, sutis da vida. E existe uma profundidade infinita na vida; seu significado não tem limites. A descoberta dele é meditação; sua culminância é sabedoria.

 

No ensinamento budista, diz-se que a senda é tríplice. Ela começa com a reta conduta, chamada shila, o que significa que todos os fatores obscurecedores, as paixões  animais, os pensamentos egoístas que impedem a visão, devem chegar a um fim. Em segundo lugar, a senda implica em auxiliar a consciência a despertar através da observação, do escutar sensível e da profunda reflexão. Então a sabedoria começa a despontar. O caminho dá acesso a uma vasta esfera da qual não temos consciência agora. Então começa a revelar-se o supremo significado que abrange toda a vida.


Radha Burnier


(o texto foi extraído na integra do www.teosofia.com.br ,  está tão sucinto que não necessita nem de comentários, por isso o extraí na integra)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Planos X Dimensões


 O que são planos? Plano é um estágio. É muito comum pessoas confundirem planos com dimensões, são coisas totalmente distintas.

Planos são estágios em que nos encontramos, hoje por exemplo, estamos em um plano material, não que nosso plano seja o plano mais materialista, mas esse será um assunto futuro.

O plano é um estágio  de uma evolução, ou seja cada evolução tem vários planos e  cada plano tem sua importância para a evolução, portanto, estamos em algum plano para dar prosseguimento a nossa evolução. Assim como os espíritas defendem o plano espiritual em uma pós-morte, eles não estão errados, existe sim o plano espiritual e suas sub divisões, mas como também existem muitos planos.

Um plano defini-se em um lugar no qual estamos consciente ou inconscientemente fazendo um agregado a nossa raiz evolutiva, pode parecer um pouco complexa essa afirmação, mas não é tão difícil compreender. Por exemplo, imagine que, como dizem os espíritas, exista o plano espiritual, e que seja possível estarmos nos dois planos ao mesmo tempo, e que nós estamos hoje aqui no plano material e no plano espiritual estamos somente inconscientemente e que seja necessário para nossa evolução tal paridade . E acreditem que isso é possível, pois muitas evoluções em nosso convívio diário acontecem dessa maneira, nem sempre nós temos sensibilidade para notarmos tal similaridade.

Um ser pode ter evolução dentro de uma outra evolução. Como seria possível tal coisa?

Vamos em primeiro lugar aqui esclarecer que como há a existência do plano espiritual existem muitos outros planos, milhares,  planos nos quais a densidade modifica-se drasticamente. Densidade é somente uma variação de nossa massa, no plano espiritual também temos uma espécie de massa, o que se torna palpável do ponto de vista daquele plano.

Respondendo a pergunta, então, digamos que alguém tem sua evolução fixada e totalmente vinculada a um determinado plano, e que para tal evolução prosseguir seja necessário ela “viver” em outro plano em conjunto com seu plano de origem. Daí é que se torna possível uma evolução dentro de outra. Essa afirmação contraria e muito os preceitos espíritas, essa idéia de dualidade foge as regras de tal religião. Segue agora um texto em resumo de preceitos e crenças espíritas de linha de Allan Kardec, e logo a seguir o discutiremos:

 

 

Visão Espiritual Perante as Leis Kardecistas

 

Para os praticantes da religião espírita os preceitos de eternidade condicionam-se na vida espiritual. Isto é, após o desencarne a criatura retoma suas atividades de espírito que é por essência.

Há condições que estabelecem o plano onde esse espírito pode atuar após seu desencarne, essas condições seguem rigorosamente os preceitos terrenos de bem e mau, e englobam desde a justiça divina até as próprias condições perispirituais do desencarnado, envolvendo também sua atuação na terra em sua última oportunidade de evolução, que seria sua última encarnação.

Peguemos como exemplo uma pessoa encarnada, de boa índole, que tenha uma religião (preferencialmente o espiritismo), família constituída, trabalhe para seu sustento e o sustento dos seus, tendo como pecado as tribulações do cotidiano que a deixem nervosa, causa essa de algumas pequenas agressões íntimas e para com algumas pessoas próximas. Pessoa essa que tenha seus arrependimentos, mas suas verdadeiras angustias trabalhem remoídas dentro de si mesma.

A criatura do exemplo a cima seria um espírito que teria condições após o desencarne de se elucidar, ou seja, conscientizar-se da morte do corpo, e ser orientada pelos (mensageiros) espíritos evoluídos afins, ou parentes desencarnados, levada para algum hospital ou posto de socorro onde possa desprender-se dos hábitos alimentares e fisiológicos, até retomar seu trabalho espiritual, que seria uma continuação de sua vida de maneira caridosa e devotada aos outros espíritos ou pessoas encarnadas, isso aconteceria até seu próximo reencarne, ou continuação de sua evolução como espírito. Esse seria o retrato de uma pessoa próspera. Servidão e devoção.

Vejamos agora um viciado em quaisquer tipos de drogas, seja bebida, cigarro, alimentação excessiva... Ainda que de boa índole seria cobrada ao desencarnar por práticas suicidas ou pela perda da oportunidade de evolução, ou seja uma encarnação perdida. Perante a visão espírita uma pessoa com estes antecedentes ao desencarnar provavelmente, demoraria mais tempo para assimilar sua condição de desencarnado, principalmente se viciado em alucinógenos porque seria remetido a lugares ou planos de pessoas afins, que continuam no êxtase da droga mesmo depois de longo tempo desencarnadas. Então somente após seu arrependimento sincero, poderá merecer a dádiva do perdão (de si mesma), e das pessoas a quais supostamente fez mal. Desta maneira poderá ser resgatada, pelos bons espíritos e levada para postos de socorro onde se livraria dos desejos carnais, drogas, hábitos alimentares e fisiológicos.

Certamente poderíamos avaliar um número enorme de exemplos, mesmo porque cada caso é um caso em particular. É apenas importante citar que esse lugar para onde vão as pessoas de má índole, ou qualquer pessoa que infrinja as leis dos homens ou de Deus seria chamado por muitos de inferno, que para os espíritas é o umbral, e segundo alguns livros psicografados, é um lugar escuro, frio, lodoso, onde se ouvem gritos agonizantes, e dificilmente há comunicação entre os residentes do mesmo, devido a falta de lucidez, remorso , dores íntimas e carga energética do próprio local. Todos os espíritos umbralinos continuam tendo as mesmas sensações  e necessidades de quando encarnados, chagas e enfermidades do corpo físico. Esses desencarnados são impossibilitados de sair do umbral, porque há outros desencarnados que os trazem de volta, e podem usar de qualquer artifício para mate-los lá dentro, amarrar, algemar, muitos apanham, estes seriam os espíritos afins, que já desencarnados há muito tempo são hábeis na arte da maldade e muitos lideram grupos de espíritos de menos poder, os chamados encostos, cultuam monstruosidades, vampirizam energias de encarnados, enfim, são devotados para as artes do mal. Um espírito residente no umbral, é incapaz de ver ou sentir um espírito evoluído, mesmo que este o tente ajudar, isto pela freqüência energética, dessa maneira os mensageiros que entram no umbral para tirar um irmão arrependido, não são notados, exceto por alguns líderes umbralinos, que na maioria das vezes não se aproximam, o que não é regra.

Para que um espírito saia do umbral é necessário um arrependimento sincero das atitudes que o carregaram para lá, o que o pode ajudar muito são as preces de amigos e parentes, independente da posição de encarnados ou desencarnados, porque suas vibrações amenizam o sofrimento daqueles agonizantes, mesmo sem que eles compreendam como, desse modo as falanges de espíritos que trabalham na tarefa do resgate podem leva-los para lugares de paz onde possam continuar caminhando dentro da evolução ascendente do espiritismo.

 

 

Fica claro que o espiritismo segue preceitos onde priorizam a harmonia divina como aqui já tratamos. Os espíritas citam as subdivisões do plano espiritual, porém esse ponto de vista somente não é aceito por eles.

Perceba que existe um plano de sofrimento, outro plano de “pronto socorro”, um plano de evolução. Esses planos são planos independentes, porém interligados e participativos em uma evolução espiritual. E é possível que alguém tenha que se desprender  sua consciência de plano espiritual e tomar consciência em outro plano para prosseguir sua evolução, mas a sua essência permanecerá no plano espiritual, ou seja no seu plano de origem. Mas como isso pode acontecer do plano espiritual para outro plano, também pode acontecer de outros planos para qualquer plano.

Temos que nos conscientizar que somos cercados por planos,  onde as freqüências são imperceptíveis a nós seres humanos. Planos existem muitos, mas temos pouca consciência deles, e o plano espiritual seria um dos mais grosseiros, se assim me permitem dizer, pois é um plano que ainda muitos de nós tem consciência e contato.

Existem planos que interagem com o tempo e espaço de maneira totalmente fora de nossa concepção. Planos que definem linhas evolutivas, que interagem e fazem interface com linhas evolutivas, e planos que nunca se “contaminam” com outras linhas evolutivas.

Alguns de nós hoje passamos por aqui mas não  somos todos de uma linha evolutiva em comum, nós temos propósitos diferentes, e evolução que dificilmente coincidem, hoje cruzamos por aqui , mas é mera coincidência, ou não. Temos evolução, e evoluir é na verdade nosso único interesse.

Para atingir tal objetivo, seguiremos por caminhos por vezes árduos, mas que passarão por muitos planos diferentes dependendo de nossa origem evolutiva e propósito evolutivos. Seguiremos linhas e planos diferentes conforme surgirem às necessidades para serem agregadas à nossa evolução, mas nunca fugiremos de nosso plano-origem , para onde sempre voltaremos a cada  pré-evolução.

Temos uma sentença a cumprir, onde a cada evolução nossos objetivos serão mais sublimes, porém sem paradigmas. Por exemplo um homem pode morrer e reencarnar cachorro? Sim, se nessa sua evolução ele tiver que “aprender” a fidelidade. Porém ele não reencarna com a mesma alma, ele participará de uma coletividade espiritual aonde somente uma parte dele viria de tal forma, e o restante permaneceria no seu plano de origem. Perceba que não estou afirmando que um espectro retroceda, e sim que ele participará de uma coletividade aonde a energia iria conduzi-lo para que tal evolução seja agregada ao  processo evolutivo.

Nemezis

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A Rosa Cruz


A Rosa Cruz é um entidade místico filosófica, suas origens estão perdidas nas brumas da história, e ainda há muita divergência entre os historiadores sobre a real origem da Ordem.
A atual AMORC, se intitula herdeiras dos ensinamentos, mas sua fundação foi em 1915 por  Harvey Spencer Lewis, existem outras entidades que também se intitulam Rosacruzes, mas não nos cabe aqui julgar quem é ou não rosacruz, há farto matérial na internet sobre o assunto, o que quero trazer em pauta aqui são os benefícios que o estudo rosacruz pode proporcionar.
Numa primeira pincelada , bem superficial, digamos que o estudando ou postulante rosa cruz, terá acesso a um material bastante restrito e riquíssimo em conhecimento, desde curas, física, espiritualismo, respeito, alimentação, respiração. Detalhes que hoje nosso racional já deixou de lado, dando lugar ao materialismo constate em nossos dias, com a enfurecida e frenética rotina diária deixamos conceitos básicos de qualidade de vida para trás. E a Rosa Cruz vem trazer aos nossos olhos coisas que nem sequer sabíamos que existiam, como respirações corretas, forma correta de meditar, (onde o fluxo de energia corpórea é facilitado pela posição), entre outros.
Essas ordens e fraternidades tem formas diferentes de ensinar, mas todas elas em sua essência são muito parecidas, pois querendo elas ou não derivam de uma mesma origem.
Seguem alguns links sobre o assunto, links inclusive dos sites das respectivas Ordens:


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Astrologia: Um Universo de Significados



 A primeira pergunta que um cético faz a quem trabalha ou acredita em astrologia é: “Como um corpo celeste, tão distante de nós, pode nos influenciar”? É claro que essa pergunta é feita como uma arma contra seu interlocutor.


Planetas e constelações são vistas pela Astrologia Humanista como símbolos. Não podemos nos esquecer que somos todos – planetas, plantas, seres humanos... parte de um todo; e que fazemos parte de uma engrenagem maior que se chama Universo. 

Portanto, não é o planeta lá longe que se “mexe” nos causando um determinado efeito. Essa visão nós deixamos para os astrônomos ou céticos que só conseguem ver e entender o Universo e a vida como causa e efeito que, logicamente, conseguem provar objetiva e cientificamente.
A nossa proposta é entender a subjetividade da vida e todas as tramas que estão, claramente, fora do alcance dos nossos olhos e sentidos conscientes e óbvios, mas que percebemos acontecendo em nossa vida, no nosso dia-a-dia.



Quanto a astrologia, acho muito pouco usá-la apenas como instrumento de previsão. É claro que é possível. Mas a astrologia nos oferece muito mais. Ela nos proporciona a possibilidade de se ter um mapa de um território, muitas vezes desconhecido de nós mesmos, que somos nós próprios.
Quem disse que não nascemos com “manual de instruções”? Pois é, o Mapa Astral seria como um manual de instruções de nós mesmos. 



A importância de um Mapa Astral, mais do que fazer previsões, é ajudar no processo de autoconhecimento. É um poderoso instrumento no auxílio de entender como funcionamos, porquê temos determinadas reações e certas necessidades, por exemplo. Bem como descobrir nossos potenciais latentes e muitas vezes “escondidos” de nós mesmos para, então, poder investir neles.



Quando fazemos um Mapa Astral, a posição dos signos nas casas, os planetas em suas localizações e seus inter-aspectos, representam simbolicamente como o indivíduo, dono deste Mapa Astral, apreende subjetivamente a vida e, conseqüentemente, como ele se expressa e atua.
As casas representam simbolicamente os “departamentos” da vida: seu senso de Identidade, sua auto-estima, seus bens materiais, sua relação com seus irmãos, vizinhos, família, como acontecem os relacionamentos amorosos e assim por diante. São doze “departamentos”. Os signos contidos nas casas dão o “colorido” às mesmas, como se fossem “lentes”. São doze lentes. Por exemplo, um sagitário numa casa daria um colorido mais filosófico ou aventureiro, já com um câncer nesta mesma casa teríamos uma “lente” mais emocional e extremamente sensível, e, às vezes, até chantagista.

Quanto aos planetas, onde estes se encontram localizados no Mapa Astral teremos determinadas energias atuando de acordo com sua representatividade. São dez planetas.



Dentro da Astrologia Humanista os planetas têm representação simbólica que é análoga aos arquétipos, tão bem definidos por Jung. Arquétipos, segundo Jung, seriam os modelos típicos do Ser. Por exemplo, a Lua tem a representação da mãe. O modelo arquetípico da mãe é, por exemplo: ser acolhedor, nutridor, amparador, em suma representa as emoções e a forma feminina de lidar com a vida. Dependendo do signo onde está a Lua, o termo acolhedor (citando apenas duas possibilidades) pode significar “ouvir” ou, então, “fazer algo por”. Nas duas situações estará acontecendo o acolhimento, mas de formas diferentes. Então, para se cumprir o arquétipo materno (Lua) é necessário que se esteja atuando com algumas das qualidades do modelo arquetípico.



As possibilidades de atuação do arquétipo materno representado pela Lua são quase que infinitas, pois a Lua se posiciona nos doze signos, nas doze casas, além de fazer aspectos com os outros planetas. Tudo isto multiplicado por dois, pois se podem usar as energias positivas ou negativas da Lua. Por exemplo: a qualidade negativa do amparo é o desamparo ou abandono.

Continuando com o nosso exemplo, a Lua representa a nossa mãe, mas também como reagimos emocionalmente às situações e pessoas. Podemos perceber bem a atuação da energia da Lua na vida da pessoa através dos vários filhos de uma mesma mãe: cada um tem um relacionamento diferente com a mesma mãe; pois, com certeza, cada um desses filhos tem a Lua num signo diferente, numa casa diferente e fazendo aspectos também diferentes com diferentes planetas.



Por fim, aspectos são as relações que os planetas estabelecem entre si, dependendo do grau que os distancia. Os aspectos podem ser harmoniosos ou desarmoniosos. Quando os planetas fazem aspectos harmoniosos entre si, um ajuda a expressão do outro. Quando os aspectos são desarmoniosos, um planeta dificulta a expressão do outro, gerando conflitos emocionais no dono do Mapa Astral.



Astronomicamente, por exemplo, nenhum planeta faz “aspecto” com nenhum outro planeta. Os aspectos, também, têm uma leitura simbólica que significa troca energética harmoniosa ou desarmoniosa entre os planetas.

Ainda tendo a Lua como exemplo: quando a Lua está sob aspecto harmônico num Mapa Astral, há uma tendência maior de se expressar mais os aspectos positivos de sua energia (levando a pessoa a um bem estar emocional), enquanto que se há aspecto desarmônico a “afligindo” serão as energias negativas que predominarão (gerando angústias, depressões, ansiedades, por exemplo).

Eu usei a Lua – aquele luminar que vemos quase todas as noites no céu, às vezes estrelado – e que na astrologia “chamamos” planeta, para você ter uma idéia de que a Astrologia Humanista “olha” para os planetas como símbolos energéticos atuantes.


Portanto, a Astrologia Humanista entende o ser humano como um ser que faz parte da natureza e que participa de troca energética através de um encadeamento invisível (de energia), onde todos afetam todos.



Dentro desta visão todos os elementos – signos, planetas, casas e aspectos – do Mapa Astral, têm uma representação simbólica e uma multiplicidade de significados. E assim é feita sua leitura e interpretação.

 

Nemezis